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Endividamento das famílias paulistas atinge maior nível em um ano e acende alerta para inadimplência

Publicada em: 22/05/2026 16:47 -

O comprometimento da renda das famílias em São Paulo voltou a crescer e já preocupa especialistas do setor econômico. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostram que o percentual de famílias endividadas no estado chegou a 72,9% em abril de 2026, o maior índice registrado nos últimos 12 meses.

Na prática, isso significa que mais de 3,27 milhões de famílias paulistas possuem algum tipo de dívida, como cartão de crédito, financiamento, carnês, empréstimos ou contas parceladas. O número representa um crescimento expressivo em relação a abril de 2025, quando o índice era de 70,2%.

O avanço também aparece nos indicadores de inadimplência. Segundo a pesquisa, 946 mil famílias estão com contas em atraso no estado, enquanto mais de 406 mil afirmam não ter condições de quitar os débitos acumulados.

Crescimento contínuo preocupa economistas

A trajetória observada ao longo do último ano mostra uma pressão crescente sobre o orçamento doméstico dos paulistas. Depois de encerrar 2025 com redução no nível de endividamento, o indicador voltou a subir em 2026, impulsionado principalmente pelo aumento do custo de vida, juros elevados e maior uso do crédito para despesas essenciais.

Evolução do endividamento em São Paulo

  • Abril de 2025: 70,2%
  • Setembro de 2025: 72,7%
  • Dezembro de 2025: 69,0%
  • Janeiro de 2026: 68,9%
  • Abril de 2026: 72,9%

O levantamento mostra ainda que o percentual de famílias com contas em atraso passou de 20,6% para 21% em um ano. Já o grupo que admite não conseguir pagar as dívidas saiu de 8,6% para 9,1%.

Especialistas avaliam que a alta no comprometimento financeiro ocorre em um momento em que muitas famílias ainda tentam reorganizar o orçamento após períodos de inflação elevada e encarecimento de itens básicos, como alimentação, moradia e transporte.

Mais crédito, menos margem no orçamento

O cartão de crédito segue como principal responsável pelo endividamento das famílias brasileiras e paulistas. A facilidade de acesso ao crédito e o parcelamento constante acabam criando uma falsa sensação de equilíbrio financeiro, mas elevam rapidamente o risco de inadimplência quando há perda de renda ou aumento inesperado das despesas.

Outro fator apontado por analistas é a dificuldade crescente das famílias em manter reserva financeira. Com menor capacidade de poupança, muitos consumidores recorrem ao crédito até mesmo para gastos essenciais do dia a dia.

Inadimplência impacta economia e consumo

O avanço da inadimplência também afeta diretamente a economia do estado. Famílias mais endividadas tendem a reduzir o consumo, adiar compras e diminuir investimentos pessoais, o que impacta setores como comércio, serviços e indústria.

Além disso, consumidores inadimplentes enfrentam maior dificuldade para acessar crédito, financiar bens e renegociar contratos, ampliando o ciclo de restrição financeira.

Cenário exige atenção e planejamento

Economistas recomendam que consumidores priorizem renegociação de dívidas com juros mais altos, controlem gastos parcelados e evitem comprometer grande parte da renda mensal com crédito de curto prazo.

A orientação também inclui a criação gradual de reserva de emergência e revisão de despesas fixas para evitar o agravamento do endividamento nos próximos meses.

 

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e acompanha o comportamento financeiro das famílias brasileiras em relação ao consumo, crédito e capacidade de pagamento.

Foto:  Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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